A estação mais quente do ano se despede oficialmente às 11h45 desta sexta-feira (20/3) marcando o início do outono e transição do período mais chuvoso para o período mais seco na cidade do Rio
A mudança no tempo nesta sexta-feira (20/3) na cidade do Rio de Janeiro, com temperaturas em declínio e possibilidade de pancadas de chuva, anuncia o fim do verão. Um cenário bem diferente do início da estação, que começou com temperaturas elevadas e termômetros ultrapassando a casa dos 40°C. De acordo com o Sistema Alerta Rio, órgão de meteorologia da Prefeitura do Rio, a maior temperatura registrada neste verão foi de 41,4°C no dia 12 de janeiro, em Santa Cruz, na Zona Oeste.
O intenso calor, típico da estação, resultou em um período de estresse térmico de 35 dias, levando a população a buscar alívio nas praias e parques municipais. O Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio) contabilizou 35 dias com altos Índices de Calor (IC) – entre 36°C e 40°C. Durante o mês de janeiro, por exemplo, o município chegou a uma sequência de nove dias de estresse térmico: oito em Calor 3 e um em Calor 2. Em fevereiro foram oito dias seguidos, sendo sete em calor 3 e um em Calor 2.
Os Níveis de Calor são definidos a partir de um índice (IC – Índice de Calor) que combina temperatura e umidade relativa do ar da cidade. O Comitê de Desenvolvimento de Protocolos para Enfrentamento de Calor Extremo é presidido pelo COR-Rio, com coordenação técnica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e participação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC).
A meteorologista-chefe do Sistema Alerta Rio, Raquel Franco, explicou que diversos fatores – como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) – influenciaram o tempo neste verão. “Tivemos, entre outros fenômenos, um destaque para áreas de instabilidades reforçadas por calor e elevada umidade, além de atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que tem por característica chuva forte por vários dias consecutivos. Além disso, também ocorreram bloqueios atmosféricos e altas pressões, que são fenômenos que favorecem a ocorrência de ondas de calor”.
Também tivemos o terceiro verão mais chuvoso da série histórica do Sistema Alerta Rio, ficando atrás apenas dos verões de 2009/2010 e 2012/2013. Os pluviômetros registraram uma média de chuva de 662,8 milímetros em toda a cidade, contra 425,7 mm da média histórica. O município também registrou o mês de fevereiro mais chuvoso desde 1997.
Por conta dos eventos chuvosos, o município alterou o seu estágio operacional em nove ocasiões, com destaque para o dia 9 de fevereiro. Após dois anos, o Rio voltou a entrar em Estágio 3 em função de ocorrências relacionadas às chuvas e o acionamento de 15 sirenes da Defesa Civil Municipal em nove comunidades de alto risco geológico. O estágio operacional da cidade vai de uma escala de 1 até 5, em que o número 1 é a cidade operando na sua condição normal e o número 5 é o cenário operacional mais crítico, quando as equipes da Prefeitura do Rio perdem a capacidade de resposta para ocorrências. Os estágios operacionais têm o objetivo de informar e orientar os cidadãos em como agir em caso de impactos na mobilidade.
Alto número de raios chama a atenção
O sistema de alerta de raios da Prefeitura do Rio detectou 7.724 raios na cidade, um número alto se comparado com os anos anteriores. No último verão (2024/2025), foram pouco mais de 2.500 raios registrados. “É comum termos mais raios no verão, em relação às outras estações do ano. Neste verão tivemos um número alto quando comparado aos últimos verões, exceto o verão de 2022/2023, quando tivemos 9.500 raios registrados”, destacou a meteorologista.
A ferramenta detecta informações detalhadas sobre raios, ajudando a detectar velocidade de deslocamento e intensidade das tempestades e auxiliando na previsão e monitoramento de curto prazo na cidade.
Protocolo de interdição da Ciclovia Tim Maia
Durante o verão, o COR-Rio acionou o protocolo de interdição da Ciclovia Tim Maia em quatro ocasiões. Em duas delas, o fechamento da via foi provocado pelas ondas acima de dois metros no período de ressaca. As fortes chuvas e ventos na estação do Vidigal também motivaram o fechamento, monitorado por meio de 50 câmeras instaladas ao longo do trecho. O alerta a pedestres e ciclistas também foi feito por meio de alarmes sonoros e identificação no local, além do fechamento de cancelas com a presença de guardas municipais ao longo da ciclovia.
O fechamento da ciclovia localizada na Avenida Niemeyer é implementado sempre que forem verificadas condições adversas mais intensas de mar (ondas) e atmosféricas (chuva e ventos). Dentre os critérios para a interdição estão: registro de ondas acima de 2 metros de altura, ventos acima de 65 km/h na estação meteorológica do Vidigal, além de forte chuva na região.
Além da ciclovia, a Avenida Niemeyer atingiu os critérios protocolares de fechamento em duas ocasiões (dias 1º e 11 de fevereiro), alterando o fluxo de veículos na Zona Sul da cidade.
Outono com redução de chuva e noites frias
A virada da estação acontece às 11h45 desta sexta-feira. Neste primeiro fim de semana de outono, o tempo ficará instável devido à atuação de áreas de instabilidade e a entrada de ventos úmidos do oceano, com previsão de céu nublado com chuva fraca a moderada na sexta-feira e nebulosidade variada com chuvisco/chuva fraca isolada na tarde e noite de sábado e domingo. As temperaturas máximas estarão entre 29°C e 30°C e, as mínimas, entre 18°C e 21°C.
Embora a previsão seja de chuva neste início de outono, a estação deve concentrar um número menor de chuva em comparação ao verão. Segundo a série histórica do Sistema Alerta Rio, a média de chuva é de 294,2 mm, enquanto a temperatura mínima média do outono é de 17,5°C e a máxima média é de 30,4°C.
O outono é uma estação de transição entre o verão (mais quente e chuvoso) e o inverno (mais frio e seco). Portanto, possui características de ambas as estações: mais próximo do verão ainda podem ocorrer pancadas de chuva; e mais próximo do inverno, há maior ocorrência de névoa/nevoeiro e frentes frias.
Foto: @dionfotografias (Via Instagram)













